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Projeto para reincidentes emociona platéia


Por Assessoria de Imprensa, em 13/08/09 16:08

Jovem reincidente dá testemunho sobre a eficácia do modelo da Vila Maria; jovens começam a trabalhar na semana que vem

Trabalhar com reincidentes graves na Fundação CASA era no passado um tabu. Até a criação de um modelo especial para atender adolescentes com este perfil.

O modelo – implantado em unidades da Vila Maria, na Capital - foi exposto nesta quinta-feira (13 de agosto), durante o terceiro dia II Encontro de Gestão Compartilhada da Fundação CASA, realizado em Atibaia com gestores da instituição e de entidades não-governamentais parcerias do Governo na administração de unidades de internação.

A unidade escolhida para apresentar o trabalho com os reincidentes foi a UI Paulista e a Nova Vida, administradas apenas com funcionários da Fundação CASA. A apresentação foi emocionante por conta da presença de um interno multirreincidente considerado de perfil gravíssimo que mudou radicalmente de comportamento depois de um ano sendo atendido na UI Nova Vida.

“Eu agradeço a oportunidade de estar aqui para mostrar a vocês que é possível realizar um trabalho com resultados”, afirmou o adolescente, que teve sensível melhora no comportamento depois de participar do Projeto Yam, que prevê aulas de Ioga na unidade.

“Eu descobri, pela Ioga, que não estava preso, mas que, na verdade, a prisão é você estar apegado a coisas materiais”, afirmou o jovem, que atualmente faz curso de extensão universitária das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e já ministra aulas da disciplina para os colegas internos. “Muitas pessoas, lá fora, estão mais presas do que nós por estarem apegadas a coisas materiais”.

Com o destaque no Ioga e no comportamento, o adolescente virou pupilo do mestre César Deveza, que coordena o projeto e é professor da FMU no curso de extensão universitária em Ioga da universidade. “Agora”, afirma o adolescente, “há a possibilidade de eu fazer Educação Física para seguir no trabalho com a Ioga.”

O adolescente foi aplaudido de pé. Segundo o diretor da unidade Paulista, Christian Lopes, o jovem que esteve nesta quinta em Atibaia não é exceção na atual política de atenção a reincidentes. “Quarenta e dois por cento dos adolescentes que deixaram a unidade estão trabalhando”, afirmou o diretor.

O modelo adotado na Vila Maria é facilitado pelo tamanho de unidades como a Paulista, que têm apenas 45 jovens. “Com isso, é possível trabalhar o adolescente e a família”.

É uma realidade bastante distinta da antiga Febem, que chegou a abrigar 160 jovens na antiga unidade Tietê. A Tietê, palco de tumultos, tentativas de fuga e casos de violência, foi extinta. A antiga área foi reformulada, dando lugar a duas casas com apenas 45 vagas – a UI Paulista, de Christian Lopes, e a UI Nova Vida, de Leandro Medeiros.

Nelas, o modelo aplicado busca o atendimento individualizado do adolescente. Assim como no Modelo Pedagógico Contextualizado, mas de uma forma adaptada, os jovens passam por fases de progressão – conforme melhoram o comportamento e refletem a necessidade de encontrar um novo projeto de vida, ganham benefícios, como a possibilidade de participar de atividades pedagógicas e lúdicas externas, o que era impensável nos tempos da antiga Vila Maria.

“Éramos criticados por não saber trabalhar com reincidentes, mas vocês conseguiram mostrar a todos que era possível construir um modelo eficaz para atender aos reincidentes”, afirmou Maria Eli Colloca Bruno, diretora técnica da Fundação CASA.

A fala da diretora é corroborada pelo desempenho das unidades da Vila Maria na Imprensa. Outrora criticadas por especialistas e alvos de notícias negativas, as unidades, apenas em 2009, foram enfocadas positivamente por mais de 10 reportagens da grande imprensa paulista.

Além de ganhos de imagem institucional, o modelo já rendeu outros frutos concretos. O próximo deles será colhido no próximo final de semana, quando 14 jovens que participaram de um curso na área da construção civil serão formados, com emprego garantido e salário inicial de R$ 800,00. Os adolescentes começam a trabalhar na semana que vem.

Confira a programação e demais notícias do II Encontro




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